Lama de Brumadinho avança e assusta comunidades às margens do Rio Paraopeba

Lucas Hallel Ascom/Funai

O rompimento de uma barragem da empresa Vale na cidade de Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte, que vitimou centenas de pessoas, segue reverbarando no estado de Minas Gerais. Comunidades ás margens do Rio Paraopeba, que foi tomado pela lama e pelos rejeitos de minério na região do acidente, temem o avanço da sujeira.

Na comunidade de Ribeiro Manso (MG), que fica nas margens do Paraopeba, mas a 300 km do local do rompimento da barragem, muitas pessoas abandonaram os próprias casas por meio do avanço dos rejeitos e dos perigos de contaminação. No local, as águas ainda estão limpas, mas o valor dos imóveis já caiu cerca de 50%.

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora encontrou águas lodosas na região de Pará de Minas (MG), a 110 km da barragem da Vale.

A empresa, por sua vez, tenta minimizar as consequências da tragédia. Nesta segunda-feira (11), a mineradora abriu registro para doação de R$ 50 mil e R$ 15 mil para os moradores da Zona de Autossalvamento (ZAS) do Plano de Emergência de Barragens e de Mineração (PAEBM). O repasse, no entanto, só contempla a região de extensão de até 10 km do local do rompimento.

Na última atualização, o número de mortes na tragédia de Brumadinho subiu para 165. Já foram identificadas 156 vítimas. Continuam desaparecidas160 pessoas. 138 estão desabrigados.

No início da tarde de 25 de janeiro, a barragem 1 da Mina do Corrégo do Feijão , que pertence à Vale e está localizada em Brumadinho, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte, se rompeu. O município foi invadido pela lama e pelos rejeitos de minério, deixando centenas de mortos e feridos.

Muitas das vítimas são funcionários ou terceirizados da própria  Vale  , que tinha um complexo administrativo no local. O refeitório da empresa ficava muito perto da barragem rompida e foi totalmente soterrado.

Integrantes do Governo Federal já admitiram que não será possível resgatar os corpos de todas as vítimas da tragédia. “Este é um episódio de muita gravidade. Algumas pessoas, triste e lamentavelmente, não serão recuperadas", disse o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, após reunião do comitê de crise montado para acompanhar a situação.

Após a tragédia de   Brumadinho, dois engenheiros que atestaram a segurança da barragem, além de três funcionários da Vale, foram presos. Os cinco já foram soltos. O governo afirmou que "tomará medidas" para impedir tragédias parecidas e falou em aumentar a fiscalização. Ainda em recuperação no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) viajou à cidade mineira antes de ser internado e sobrevoou o Rio Paraopeba.

Fonte: Portal IG