Guedes vê 'jabutis' no texto da reforma e minimiza adiamento de votação na CCJ

Valter Campanato/Agência Brasil - 16.4.19

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quarta-feira (17), em entrevista à Globonews, que o governo tem uma estratégia de negociação para a aprovação do texto da reforma da Previdência no Congresso, confirmando que está preparado para ceder em alguns pontos, sem detalhar quais.

"Temos uma estratégia de negociação [com o Congresso] e a gente está preparado para ceder em algumas coisas e não ceder em outras", afirmou Paulo Guedes.

O texto da reforma da Previdência, apresentado em 20 de fevereiro, está em discussão na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara. As sessões vêm sendo marcadas por confusão e discussões envolvendo parlamentares da base governista, da oposição e representantes do governo Bolsonaro, como o próprio ministro da Economia, marcado pelo  episódio 'tchutchuca' com o deputado Zeca Dirceu (PT-PR).

A previsão era que o parecer do relator, deputado Marcelo Freitas (PSL-MG), fosse votado nessa quarta-feira (17) na CCJ, mas a votação foi adiada para a semana que vem por falta de acordo.

O ministro minimizou o adiamento da votação, dizendo que este foi motivado por "pequenos desajustes" e pela "relativa inexperiência" de novos representantes da base governista. Ele adimitiu que "há problemas de coordenação" da base governista do Congresso, mas disse que ela "está melhorando".

Guedes também comentou sobre os "jabutis" no texto da reforma da Previdência, que são emendas feitas por parlamentares que tratam de assuntos diversos do projeto original. Segundo ele, a equipe econômica enviou um texto "técnico" ao Congresso e a presença desses anseios dos parlamentares "dificulta" o acordo e a aprovação da proposta.

Os parlamentares dizem entender que a reforma é "incontornável", mas enfatizam que querem fazer parte do processo de elaboração da proposta, segundo Guedes. "As minhas conversas com políticos são muito no sentido de mostrar a inevitabilidade da reforma, como é construtiva a pauta, até para eles. Essa reforma é diferente da do Temer, que era uma reparação do sistema de repartição. Essa é uma abertura para um regime de poupança", declarou o ministro, defendendo a  capitalização e acrescentando que sente haver "apoio unânime" à reforma de prefeitos e governadores.

Durante a entrevista, o líder da pasta da Economia reiterou ter como objetivo que, até o fim do mandato de Bolsonaro, a carga tributária passe de 36% do Produto Interno Bruto (PIB) para 30%. Segundo ele, o "ideal" seria um número próximo de 20% nas próximas gestões.

Questionado sobre qual é a proposta para a redução da carga tributária, Guedes afirmou que a proposta de Marcos Cintra, secretário da Receita Federal, é unir "dois, três, quatro" impostos e transformar em um imposto único federal. Foram citados como exemplo o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). "Sim, vamos fundir [impostos]. Estamos estudando a base. Esse é o IVA. É isso que estamos estudando aqui, o IVA federal. A base de incidência é o que estamos vendo", explicou. 

A intervenção do presidente Jair Bolsonaro (PSL) ao preço do diesel na última semana, que trouxe prejuízo milionário à estatal, motivou questionamentos ao ministro da Economia, que defendeu o presidente ao dizer que Bolsonaro estava apenas buscando informações sobre o reajuste, no episódio. No entanto, ele assume que a ação de Bolsonaro não foi a ideal. "Aconteceu da melhor forma? Não, é claro que não", disse o guru econômico do presidente.

"O que a gente tem que procurar é não ser 8 nem 80. Nem reajuste diário, porque não é sensato para a economia que se move, nem controle de preço", defendeu. "Há um trilhão debaixo do chão [pré-sal]. Se você começar a manipular a política de preço você destrói a capacidade de investimento do Brasil", acrescentou, em outro trecho da entrevista."Eu não posso me queixar. Eu não fui atingido na minha autonomia", afirmou Guedes sobre o episódio.

Fonte: Portal IG