GATE demonstra profissionalismo e cautela para evitar tragédia no interior de SP

Divulgação/GATE

Os homens e mulheres da Polícia Militar de São Paulo recebem constantes treinamentos para atuarem nas mais diversas situações no combate à criminalidade e proteção da população paulista. Mas há algumas ocorrências sensíveis em que é exigido preparo especial dos profissionais de segurança. Nesses casos, qualquer passo mal pensado pode colocar tudo a perder. E é para evitar que isso ocorra que São Paulo conta com o GATE ( Grupo de Ações Táticas Especiais).

Comandante do GATE, o Major PM Racorti explica que o grupamento atua como um "combo" formado por diversas peças-chave que vão desde snipers altamente capacitados até a equipe de gerenciamento de crise, passando ainda pelos policiais de negociação e do time tático. O objetivo do grupamento ao atuar em situações de risco são três, elencados prioritariamente assim: proteger a vida; aplicar a lei; e restabelecer a normalidade o quanto antes.

Há poucas semanas, em plena véspera de Natal, as forças de segurança que atuam no município de Ibiúna, na região de Sorocaba, depararam-se com uma ocorrência que fugia à normalidade. Um homem de 22 anos de idade (Diogo da Cruz de Oliveira) armado com duas facas tomou a ex-mulher (Stefani Ortiz Sandroni) como refém dentro de uma sorveteria na região central da cidade.

"A ocorrência era altamente crítica", lembra o Major Racorti. "A mulher não era apenas uma refém nesse caso, mas uma refém-vítima, pois o indivíduo queria efetivamente causar a morte dela. Então a gente precisava fazer com que ele recobrasse a racionalidade de seus atos para não fazer aquilo."

A ocorrência, a princípio, foi atendida pelas equipes da 2ª Companhia da Polícia Militar, assessorados a todo momento pelo GATE. Naquele 24 de dezembro, o Major Racorti estava de folga e junto à sua família na capital paulista, mas logo foi acionado para, por telefone, instruir uma tenente da PM que estava no local do crime em Ibiúna. Aquela policial, a Tenente Marjorie, seria a responsável por negociar preliminarmente com o criminoso, enquanto o Major se dirigia rapidamente para o interior paulista.

Em Ibiúna, as equipes policiais isolaram o local, ainda por volta das 7h30 da manhã, e acionaram o SAMU e o Corpo de Bombeiros para prestarem apoio. "O procedimento é uma trilha, e não um trilho. E essa trilha a gente traça de acordo com as característica da ocorrência", explica o comandante do Grupo de Ações Táticas Especiais.

As "características" daquela situação não eram nada favoráveis. A vítima era ex-mulher de seu raptor, que não aceitava o recente fim do relacionamento entre eles. O homem, conforme o serviço de inteligência da Polícia levantou junto a familiares, também havia consumido cocaína e estava sob forte estresse.

"Ele estava drogado, então a gente buscou ganhar tempo para que a situação se normalizasse e ele fosse capaz de pensar o que realmente estava fazendo", relembra o Major Racorti.

Diogo pedia que os negociadores o cedessem um carro, um colete à prova de balas e uma arma de fogo. O criminoso chegou ainda a exigir que sua ex-companheira passasse por um exame de gravidez e que diversos familiares fossem levados ao local.

Mas o processo de negociação em situações como essa, por mais sensível que seja, não passa pela aceitação de toda e qualquer imposição do criminoso. "A gente pensa a estratégia de tudo: o que falar, o que deixar o criminoso falar e até que ponto a pessoa pode ir. Temos que buscar uma solução aceitável então exigências como conceder um colete balístico e fazer a troca da vida de um policial com a da vítima não é praticável", diz Racorti.

Já em Ibiúna, o Major passou a atuar diretamente nas negociações com o criminoso, em conjunto com a Tenente Marjorie. A estratégia não é habitual, mas foi adotada especificamente para esta ocorrência em razão dos avanços que a tenente já tinha conseguido na comunicação com o criminoso. "É muito importante a primeira atuação da Polícia, na contenção. E a Tenente ouviu muito bem e seguiu todos os protocolos de atuação", elogia Racorti.

O criminoso, no entanto, ainda se mostrava estava altamente agressivo e tentava destruir objetos no interior da sorveteria e até mesmo incendiar o local. Um tio do rapaz foi levado ao local para auxiliar nas tratativas e, após mais de quatro horas de crise, finalmente os policiais conseguiram dissuadir o criminoso e convencê-lo a liberar Stefani. "O resultado foi altamente positivo. A nossa estratégia deu certo. A gente sempre busca esse resultado", lembra o Major.

Apesar da libertação da refém, a ocorrência ainda não havia chegado ao fim. Diogo ainda se manteve trancado na sorveteria e se negava a reabrir as portas do estabelecimento. Foi então que a equipe de intervenção decidiu invadir o local. "A gente tinha medo de que ele pudesse tirar a própria vida. Então precisamos fazer a intervenção para assegurar a própria preservação da vida dele", explica Racorti.

O criminoso foi detido e encaminhado ao Distrito Policial de Ibiúna, onde foi indicado por cárcere privado, lesão corporal e violência doméstica. As duas facas usadas por Diogo foram apreendidas. Já a vítima foi levada ao pronto-socorro da Santa Casa de Ibiúna, onde foi medicada e liberada.

Em mensagem compartilhada com os colegas de farda, o 1º Ten PM Pegoretti exaltou a atuação das forças policiais. "As equipes demonstraram profissionalismo, técnica, cautela e extrema pró-atividade, além de terem se sobressaído no apoio prestado na citada ocorrência, não medindo esforços, enaltecendo assim, ainda mais a imagem da Polícia Militar junto à comunidade", escreveu.

O Major Racorti afirma que, apesar de este ter sido seu segundo Natal seguido interrompido por conta do trabalho, o feliz desfecho da ocorrência fez com que as horas perdidas de descanso valessem a pena.

"Faz parte da minha função. A gente volta desse tipo de ocorrência com alegria, é uma realização para mim e para a equipe. É a sensação do dever cumprido porque tudo aconteceu de acordo com o que a gente queria. A gente agradece a Deus que a menina tenha saído daquela situação e voltado para casa bem. E o rapaz vai cumprir pena, conforme determinar a lei, mas também está vivo e podendo recomeçar. Ele é um jovem e, quem sabe no futuro, ele volta para a sociedade melhor", disse o comandante do GATE.

Na viatura I-40002 na função de motorista do CFP estava o Cb PM Capeli; Na viatura I-40233 na função de motorista do CGP II estava o Sd PM 147607-6 Abílio; Na viatura I-40211, estava o Cb PM 129107-6 J. Marcos e Sd PM142983-3 Mendes; Na viatura I-40205, estava o Cb PM 111924-9 Matrigani e Sd PM 145044-6 Matheus. Guarda Cível Metropolitana de Ibiúna no isolamento do local: Comandante CGM Marcelo Godinho; Viatura - 25 Encarregado GCM Renato; Viatura – 27 Encarregado GCM Marcos; Viatura – 29 Encarregado GCM Ferreira. GATE: Maj PM Racorti, 1º Ten PM Gobbi e 1º Ten PM Pegoretti.

Fonte: Portal IG