Alcolumbre critica relação do governo Bolsonaro com o Congresso

Agência Senado / Divulgação

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), criticou duramente na noite desta segunda-feira (24) a relação do governo com o Congresso. Segundo ele, a tendência é que após a aprovação da reforma da Previdência o clima entre Palácio do Planalto e o Parlamento piore de vez. Um dos principais motivos da animosidade são os ataques que os parlamentares vêm sofrendo nas redes sociais vindos de aliados do presidente Jair Bolsonaro.

"Se eu ficar ligando pra negócio Twitter, não vou ter tempo de trabalhar. Inclusive, se cancelar uns cinco pacotes de dados de Twitter na República a gente vai bem. Não precisa de muito, só uns cinco e o Brasil vai andar", disse Alcolumbre em um jantar promovido pelo site Poder 360.

O presidente do Senado disse ter se tornado alvo recente de militantes bolsonaristas que acusariam ele e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de estarem gestando uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que os permita disputar a reeleição para o comando das respectivas Casas. O tema tornou-se alvo de crítica de Bolsonaro no sábado.

O presidente do Senado, no entanto, não descartou tentar permanecer mais dois anos no cargo se uma proposta do gênero for aprovada. "Eu ficando dois anos, ou, se tiver uma PEC, quatro anos, alguém vai dizer que um dia passou (pela presidência do Senado) o Davi, que virou presidente do Congresso, que aprovou uma reforma pra ajudar o Brasil, que não ligou para crítica, não ligou para ofensa e trabalhou", afirmou.

"Todos os dias eu recebo telefonema de 5, 6, 7, 8 líderes querendo fazer uma carta e manifestação em repúdio a uma manifestação do presidente. Qual a novidade da semana? É o negócio de uma PEC que não existe. Alguém falou que os presidentes da Câmara e do Senado querem dar um golpe - e se é PEC não é golpe - e o presidente da República disse que é um absurdo. Por que falou isso? E no mesmo dia que falou isso, que o cara que está no poder sai na frente, ele diz que se não tiver uma reforma política adequada ele é candidato à reeleição", disse.

O senador também revelou ter sido alvo de ameaças durante a votação, na semana passada, da derrubada do decreto de Bolsonaro que ampliou o acesso ao porte e posse de armas de fogo. A Câmara deve avaliar ainda esta semana se sepulta de vez o texto apresentado pelo Planalto.

"É uma loucura. Se fosse liberar os policiais do Senado para fazer proteção de senador que foi ameaçado, acabava o contingente de 180 [policiais]. Porque só para mim tinha que ter uns 80", justificou Alcolumbre. Ele ainda reclamou do clima no governo: "Estou falando o que está acontecendo para entenderem o clima que está. A campanha já acabou há oito meses, não é possível continuar dividindo o Brasil. Não dá pra ficar incentivando movimento que vai enfraquecer as instituições".

Fonte: Portal IG