Alcolumbre pede investigação de fraude em eleição para presidência do Senado

Geraldo Magela/Agência Senado - 2.2.19

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), pediu que o corregedor da Casa, senador Roberto Rocha (PSDB-MA), apure a fraude na eleição da Mesa Diretora, no último sábado (2). Embora estivessem presentes os 81 senadores, na urna de votação, foram colocados 82 votos na eleição para a presidência da Casa. 

Além do voto a mais, duas cédulas estavam fora dos envelopes. A votação foi anulada, e Davi Alcolumbre foi eleito em um segundo pleito. No momento em que o problema foi constatado, vários senadores foram ao microfone protestar. O senador Major Olimpio (PSL-SP) disse que pediria as imagens da sessão, enquanto outros exigiram de imediato uma investigação:

“O fato é grave e deve ser apurado pelo Conselho de Ética. Houve uma fraude aí e tem que ser apurada. Tem que ser apurada”, afirmou o senador Fabiano Contarato (Rede-ES).

O senador Alessandro Vieira (PPS-SE) foi outro que disse não ter dúvidas de ter havido de fato uma fraude. “Um senador da República deliberadamente preencheu duas vezes uma cédula de votação. Duas vezes. E fez isso em benefício de um senador especificamente. Isso vai ser apurado porque alguém se deu ao desfrute, teve a ousadia de tentar fraudar uma votação na frente do Brasil inteiro”, alegou.

A investigação deve seguir as regras contidas no Ato do Corregedor 1/2018, que regulamenta os procedimentos da Corregedoria Parlamentar. O órgão é responsável no Senado por promover a manutenção do decoro, da ordem e da disciplina, incluindo questões referentes à segurança interna e externa da instituição.

Após a investigação, o corregedor poderá arquivar o fato, encaminhar à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, caso a apuração constate descumprimento do Código de Ética, ou encaminhar à autoridade administrativa competente para adoção das sanções cabíveis, quando a conduta punível não for atribuída ao senador.

Alcolumbre, de 41 anos de idade, foi eleito no sábado (2) com 42 votos, ainda no primeiro turno, em uma eleição que se arrastou por dois dias e foi marcada por impasses, interferência do Judiciário, bate-bocas e pela desistência de Renan Calheiros (MDB-AL) já durante o andamento da eleição para a presidência do Senado. Alçado do baixo clero e quase anonimato diretamente à presidência do Senado, Alcolumbre teve apoio silencioso de integrantes da equipe do governo Jair Bolsonaro (PSL) e conseguiu concentrar os votos daqueles que tentavam evitar o retorno de Renan.

Sua vitória colocou o partido Democratas à frente das duas casas que compõem o Congresso, uma vez que Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi reeleito pelos deputados . Davi Alcolumbre superou quatro adversários na votação desta tarde: Fernando Collor (PROS-AL), que recebeu 42 votos; Angelo Coronel (PSD-BA), que teve 8; Esperidião Amin (PP-SC), escolhido por 13 colegas; e Reguffe (Sem partido-DF), que ficou com 6 votos. Renan, antes de desistir, somou 5 votos.

Fonte: Portal IG