Bolsonaro afirma que poderá privatizar "partes" da Petrobras

Tânia Rêgo/Agência Brasil

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), confirmou nesta segunda-feira (19) que partes da Petrobras poderão ser privatizadas durante seu governo a partir de 1º de janeiro de 2019. A declaração que reforça uma postura adotada na campanha presidencial e que é avessa aos posicionamentos de Bolsonaro durante a maior parte de sua carreira política de 28 anos como deputado federal foi dada no mesmo dia em que o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmou a indicação de Roberto Castello Branco para a presidência da petrolífera estatal.

Em entrevista na porta de sua casa na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, Bolsonaro declarou rapidamente que "nós estamos conversando sobre isso aí. Eu não sou uma pessoa inflexível. Mas nós temos que, com muita responsabilidade, levar avante um plano como esse aí. Eu vi lá atrás com muito bons olhos a questão da Embraer. Nós podemos conversar, tá certo? Mas entendo [a Petrobras] como um empresa estratégica que pode ser privatizada em parte", disse.

Na sequência, Bolsonaro reafirmou que "alguma coisa da Petrobras pode ser privatizada, mas não toda. A Petrobras é estratégica. Estou conversando com o Paulo Guedes sobre levar adiante o plano para privatizar parte da estatal", declarou lembrando de um dos pontos de maior conflito entre o presidente eleito, que tem postura mais estatista de empresas estratégicas para os interesses nacionais, e o seu futuro ministro, que é um liberal de carreira e chegou a declarar que era favorável a privatizar todas as estatais.

Mais cedo, o futuro chefe da pasta que vai reunir Fazenda, Planejamento, Indústria e Comércio Exterior sob o mesmo guarda-chuva do novo ministério da Economia, Paulo Guedes, confirmou que o economista Roberto Castello Branco aceitou o convite de Bolsonaro para assumir o comando da Petrobras em 2019.

O escolhido para chefiar a empresa deu declarações recentes de que era favorável à privatização da empresa e seu anúncio deixou o mercado financeiro desconfiado.  Em junho deste ano, após a demissão de Pedro Parente da presidência da Petrobras durante a greve dos caminhoneiros, Castello Branco escreveu um artigo no jornal Folha de S.Paulo defendendo que "é inaceitável manter centenas de bilhões de dólares alocados a empresas estatais em atividades que podem ser desempenhadas pela iniciativa privada."

Independentemente disso, Bolsonaro afirmou que deu "carta branca" para Paulo Guedes indicar quem quisesse para compor a equipe econômica do governo.

"[Castello Branco] é uma indicação do Paulo Guedes. Eu estou dando carta branca a ele. Tudo que é envolvido com economia é ele que está escalando o time. Eu só, obviamente, e ele sabe disso, estamos cobrando produtividade. Enxugar a máquina e buscar, realmente, fazê-la funcionar para o bem-estar da nossa população", declarou Bolsonaro.

Além de Castello Branco e da indicação de Joaquim Levy para a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) realizada anteriormente também por Paulo Guedes, Bolsonaro confirmou ainda que o atual presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, poderá assumir a presidência do Banco do Brasil (BB) em 2019. "Quem está botando é o Paulo Guedes e eu estou avalizando. Talvez o Banco do Brasil, mas eu não tenho certeza", ressaltou o presidente eleito Jair Bolsonaro.

Fonte: Portal IG