Bolsonaro defende indicação de "amigo particular" para cargo na Petrobras

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O presidente Jair Bolsonaro (PSL) repercutiu as críticas que recebeu após a nomeação de um "amigo particular" para a gerência de inteligência e Segurança da Petrobras através de sua conta oficial no Twitter. Bolsonaro chegou a publicar que "a era do indicado sem capacitação técnica acabou", mas depois que foi descoberto que o indicado era próximo ao presidente, o post foi apagado e republicado sem a frase.

Tanto no tweet original como no "editado", Bolsonaro aproveitou para elogiar o "brilhante currículo" de Carlos Victor Guerra Nagem e atacar a imprensa. Segundo o presidente, apesar do indicado ser "capitão-tenente da Marinha, mestre em Administração pela Coppead/UFRJ e funcionário da Petrobras há 11 anos" dos quais seis são locados na área de Segurança Corporativa, para alguns "setores da imprensa" trata-se apenas de um "amigo de Bolsonaro".

Há instantes, o presidente Jair Bolsonaro mostrou que segue incomodado com o assunto e publicou uma nova mensagem irônica na qual pede "desculpas à imprensa" por não estar indicando "inimigos paras postos em meu governo".

O nome de Carlos Nagem ainda será submetido a procedimentos internos de governança corporativa da Petrobras, incluindo as respectivas análises de conformidade e integridade antes de ser confirmado.

De qualquer forma, a indicação do amigo de Bolsonaro é a segunda que causa polêmica na mesma semana, isso porque, na última terça-feira (8), foi descoberto que o filho do vice-presidente Hamilton Mourão, Antonio Hamilton Rossell Mourão, passará ao cargo de assessor especial da presidência do Banco do Brasil.

O novo cargo do filho de Mourão foi confirmado ao iG pela assessoria do BB que também afirmou que o novo posto é um dos três cargos de confiança que estão diretamente ligados ao novo presidente da Instituição, Rubens Novaes, indicado pelo novo ministro da Economia, Paulo Guedes, e empossado em cerimônia realizada na última segunda-feira (7) com a presença do próprio general Mourão.

A assessoria, no entanto, esclareceu que o cargo não se trata de uma promoção ou uma ruptura no plano de carreira do banco, mas sim de uma convocação para cargo de confiança. Dessa forma, caso Rubens Novaes sai do comando do banco público em algum momento, Rossell Mourão voltará ao cargo anterior como assessor na área de agronegócio do Banco do Brasil.

A indicação polêmica fez com que o PSOL fosse à Comissão de Ética Pública da Presidência da República para  abrir uma representação questionando sobre a moralidade e a legalidade da nomeação.

“A nomeação do filho do vice-presidente, uma semana depois da posse do novo governo, não foi apenas inadequada ou extemporânea. Ela fere princípios que devem orientar a administração pública. Diante da indignação popular com a nomeação, o governo deveria voltar atrás. Sem isso, não nos resta alternativa senão provocar a Comissão de Ética Pública da Presidência da República”, afirma Juliano Medeiros, presidente do partido.

A representação se baseia em um decreto, que trata sobre o nepotismo, e dispõe que, no âmbito de cada órgão e de cada entidade, são vedadas as nomeações, contratações ou designações de familiar de Ministro de Estado, familiar da máxima autoridade administrativa correspondente ou, ainda, familiar de ocupante de cargo em comissão ou função de confiança de direção, chefia ou assessoramento, para cargo em comissão ou função de confiança.

De acordo com o decreto, as vedações “estendem-se aos familiares do Presidente e do Vice-Presidente da República e, nesta hipótese, abrangem todo o Poder Executivo Federal.” Na representação, o PSOL destaca ainda um trecho do código de conduta da alta administração federal da Presidência da República, que também trata sobre o nepotismo.

O filho de Mourão é funcionário de carreira do banco estatal há 18 anos e ganhava um salário de cerca de R$ 12 mil por mês. Agora, o salário do filho do general da reserva e vice de Bolsonaro vai aumentar para R$ 36 mil (em valores brutos), mais do que ganharão os próprios presidente e vice. Além disso, a nora de Mourão, Silvi Letícia Zancan Mourão, também é funcionária da instituição.

Já no caso de Carlos Nagem, o jornal O Globo revelou que, ainda em 2016, Bolsonaro gravou um vídeo pedindo votos para o então candidato a vereador por Curitiba com o nome de Capitão Victor. Na gravação, o novo presidente classifica o seu indicado como “meu amigo particular”.

Apesar do padrinho político, Capitão Victor (PSC) não conseguiu votos suficientes para se eleger em nenhuma das duas tentativas de ocupar cargos públicos: em 2002, para deputado federal pelo Paraná, e em 2016, para vereador de Curitiba. Ambos são amigos há mais de 30 anos e se conheceram no Exército.

No vídeo, Bolsonaro diz que Carlos Nagem "é um cidadão que conheço há quase 30 anos. Um homem de respeito, que vai estar à disposição de vocês na Câmara lutando pelos valores familiares. E quem sabe, no futuro, tendo mais uma opção para nos acompanhar até Brasília". Se tiver a indicação confirmada, o salário de Carlos Nagem passará dos atuais R$ 15 mil mensais para mais de R$ 50 mil.

Fonte: Portal IG