Confusão com cédulas provoca impasse em votação no Senado; acompanhe aqui

Marcos Oliveira/Agência Senado

Os senadores já terminaram de votar na eleição para a presidência do Senado. Mas um voto duplicado nas cédulas de papel – adotadas após acordo decorrente de  decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli – provoca impasse no pleito neste momento. Alguns defendem a anulação dos votos duplicados, enquanto a Mesa Diretora avalia a realização de uma nova eleição.

A votação é secreta e a condução dos trabalhos ficará a cargo do senador José Maranhão (MDB-PB), que é o mais idoso da Casa. Contrariados pela decisão de Toffoli, os senadores firmaram acordo no plenário nesta manhã para que a votação seja por meio do voto em cédula. O início do pleito se deu às 15h40.

A sessão foi aberta às 11h50 e nove senadores se apresentaram como candidatos à presidência do Senado: Renan Calheiros (MDB-AL), Davi Alcolumbre (DEM-AP), Major Olímpio (PSL-SP), Alvaro Dias (PODE-PR), Fernando Collor (PROS-AL), Angelo Coronel (PSD-BA), Esperidião Amin (PP-SC), Simone Tebet (MDB-MS) e Reguffe (Sem partido-DF). Três deles (Tebet, Dias e Olímpio), porém, abriram mão da candidatura em nome de uma aliança anti-Renan.

A  sessão havia sido suspensa na noite dessa sexta-feira (1ª) e estava sob a presidência do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), que tem apoio silencioso da equipe do governo Jair Bolsonaro (PSL). Horas antes, os senadores decidiram, com 50 votos a favor, que a eleição dos membros da Mesa Diretora e da presidência seria feita em votação aberta, o que mudou após determinação do ministro Dias Toffoli.

Neste momento, os senadores votam por meio de cédulas. Os parlamentares são chamados pela mesa por ordem de Estados. Os que desejam, podem declarar voto pelo microfone.

Em seu discurso, Alcolumbre disse que sua candidatura representa mensagem de "esperança" e transmitiu mensagem de renovação, alfinetadando seu principal adversário, Renan. "Nós não precisamos de mais do mesmo", disse. "É hora de assumirmos o compromisso com a renovação do nosso país. É o momento de dar lugar à nova ordem", complementou. 

O senador também criticou a interferência do STF no rito de votação no Senado. "O que vimos ontem e o que aconteceu nesta madrugada demonstram, de forma clara, que os poderes devem ser independentes. O que, infelizmente, não se fez valer", reclamou.

Imediatamente após a fala do democrata, a senadora Simone Tebet anunciou o declínio de sua candidatura, em apoio a Alcolumbre, seguida de Major Olímpio e Alvaro Dias.

Renan Calheiros destacou que sempre foi um crente da democracia e, por ela, aceitou a indicação de seu partido para presidir mais uma vez o Senado. No discurso, o senador alagoano afirmou que vai lutar pelo fim dos privilégios e pela legitimidade da Casa.

O candidato do MDB também defendeu a reforma da Previdência, dando sinais de que deve colocar em votação a proposta que chegar do Planalto.

O clima de tensão foi marcado por protestos contra o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP). Senadores do MDB contestavam a presidência interina de Alcolumbre, pois ele também é candidato ao comando do Senado – o que contraria o regimento interno da Casa.

A senadora Katia Abreu (MDB-TO) tirou da Mesa a pasta com o roteiro de condução da sessão. "Por favor, me devolva a pasta, senadora", pediu Alcolumbre. "Não devolvo. Vem tomar. Você não pode estar aí", respondeu a senadora.

Como presidente autoproclamado do Senado, Alcolumbre colocou em votação a proposta para que a eleição da Mesa Diretora fosse aberta. Ele comandou a sessão  porque é remanescente da Mesa Diretora passada.

Os aliados do senador Renan Calheiros (MDB-AL), escolhido pelo MDB para disputar o cargo de presidente, argumentaram que Alcolumbre não tinha isenção para comandar a reunião que decide a presidência do Senado pelos próximos dois anos.

*Com informações da Agência Brasil

Fonte: Portal IG