Governo não vai interferir na direção da Vale, garante Onyx

Marcos Corrêa/PR

O governo federal não vai interferir na direção da Vale como reação ao rompimento da barragem da mineradora que provocou desastre na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais. É o que assegurou o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, nesta terça-feira (29), após reunião do conselho ministerial, em Brasília.

Onyx ponderou que é necessário aguardar o avanço das investigações a respeito da tragédia – que, até o momento, soma ao menos 65 mortes e 288 desaparecidos. O ministro avaliou que eventual intervenção do governo pelo afastamento da atual diretoria da Vale "não seria uma boa sinalização para o mercado".

“Temos que aguardar o andamento das investigações. Não há condição de haver qualquer grau de intervenção", disse Onyx, acrescentando que a ação golden share que o governo detém junto à mineradora não o habilita a tomar medida tão drástica. "Essa posição não permite interferência na gestão propriamente dita. Essa é uma decisão do Conselho de Administração [da empresa]”, disse.

A posição de Onyx vai no sentido contrário ao que o presidente em exercício, general Hamilton Mourão (PRTB), havia indicado nessa segunda-feira (29). Mourão defendeu que os  culpados pela tragédia em Brumadinho fossem penalizados "no bolso" e disse que o governo estudava o afastamento da diretoria da Vale. A existência desse estudo foi confirmada no fim da tarde pelo porta-voz da Presidência, Otávio Santana do Rêgo Barros.

Um dos principais advogados da mineradora, Sergio Bermudes disse ontem que nenhum dos diretores da empresa iria renunciar ao cargo, pois isso "perturbaria a continuidade das medidas" que a companhia tem adotado em relação ao rompimento da barragem.

Dentre essas medidas está o anúncio de doação de R$ 100 mil a cada uma das famílias das vítimas da lama em Brumadinho, feito no fim da tarde dessa segunda-feira. A empresa também se comprometeu a instalar uma cortina de contenção para tentar evitar o avanço dos rejeitos pelo Rio Paraopeba.

Já nesta terça-feira, a mineradora nomeou o executivo Cláudio Alves para liderar o chamado "Grupo de Resposta Imediata", que coordena ações da empresa no atendimento aos atingidos pela tragédia ocorrida no último dia 25 de janeiro. Segundo a Vale, a companhia tem como "prioridade máxima" "apoiar nos resgates para ajudar a preservar e proteger a vida de empregados e das comunidades locais".

*Com informações da Agência Brasil

Fonte: Portal IG