Na USP, Toffoli revela roubo de processo de despejo e vídeo viraliza; assista

Will Shutter/Câmara dos Deputados - 4.2.2019

Um vídeo de 2014 do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, voltou a circular neste fim de semana e causou polêmica nas redes sociais. Em uma palestra com alunos da USP, quando já era ministro mas ainda não presidia a Corte, ele conta, rindo e em tom informal, que um amigo teria roubado um processo de despejo. 

No vídeo, Dias Toffoli conta que um amigo advogado, chamado apenas de Vladimir, teria roubado um processo de despejo após a liminar de um juiz do Tribunal Regional Federal (TRF). "Ia ter o despejo no dia seguinte, o juiz deu a liminar, a gente tinha que suspender", afirmou, aos risos.

"A gente [estava] no Jurídico, o Vladimir sai correndo e some, e volta com o processo na mão. Perguntamos o que ele tinha feito e ele disse ‘eu roubei o processo, não vai ter mais processo amanhã’. Tem que bater palma pro Vladimir, porque hoje, onde ia ter despejo, agora tem um conjunto habitacional. E essas pessoas moram lá até hoje”, completa. 

Com a viralização do vídeo, internautas e comunicadores chegaram a indagar se Toffoli não teria cometido uma quebra de decoro na ocasião. O ministro não chegou a comentar recentemente as imagens. 

Na última quarta-feira, os movimentos Brasil Livre (MBL) e Vem pra Rua, protocolaram um  pedido de impeachment contra Toffoli por interferência na eleição para a escolha do presidente do Senado. O requerimento vai pedir para que o magistrado seja afastado não apenas da presidência do tribunal, mas também da função de ministro.

Cabe justamente ao Senado abrir um processo de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Para isso, o pedido é analisado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania e, se aprovado, encaminhado para que a presidência decida se coloca ou não em votação no plenário.

Na denúncia, os advogados alegam que  Dias Toffoli se sobrepôs a independência dos três poderes ao interferir em uma decisão soberana do legislativo. “O STF como guardião constitucional, não possui condão de se sobrepor à consagrada separação de Poderes. O ministro agiu em notória atuação desidiosa e incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções”, diz o texto que será encaminhado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre. 

Fonte: Portal IG